Meu querido velho amigo
Aceita a minha sentida mensagem
Trago peripécias que guardei comigo
Ao longo desta débil viagem
Desde a última vez que nos vimos
Parece que vários séculos voaram
E como estradas diferentes seguimos
Ares diferentes certamente passaram
Eu, tantas coisas deixei escapar
Tantas vezes me deixei seduzir
Alguns dias acabei a chorar
Alguns dias que acabei a sorrir
Tentei sempre me guiar pelos sonhos
Tentei sempre ordenar importâncias
Contudo quase sempre suponho
Ter sido vítima das circunstâncias
Tentei cultivar a espiritualidade
E acreditar no amor que não sinto
Podia dizer que é tudo verdade
Mas a ti sou sincero e não minto
Descobri que a gente é oca
E que a alma vale pouco ou nada
Diamantes e cirurgias na boca
Faz da pessoa mais uma ou amada
Já descobri as roldanas do mundo
E o que alimenta o seu diário ofício
Tanto é vil que por vezes me inundo
Em litros e litros e litros de vícios
Já percorri milhas e mil coisas fiz
E já aprendi que outras mil não as sei
Mas o que a minha consciência diz
É que me sinto onde comecei
Sinto que não sei nada meu caro
Mas na minha mente persistes
Lembrar-me de ti é um amparo
Mas subitamente reparo
Que já não sei se existes
Olá Nuninho. Antes de mais quero dizer, que depois de um dia longo como o que tive hoje...com duas despedidas...intervaladas por uns quantos momentos de partilha amiga, relaxamento, de alegres e libertadores mimos à minha alma...seguidos por cerca de 12 horas de ferry...(misto de algum cansaço e entusiasmo)...soube-me muito bem ler este teu primeiro poema. :)!
ResponderEliminarNão concordando com algumas conclusões/ideias por ti sugeridas (já deves saber quais serão...), a verdade é que me revi noutras...! No teu quadro do "velho amigo" encontro a minha imagem (como papel que representei/to para algumas pessoas) e a de muitos "velhos amigos" que fui conhecendo na minha vidinha... (entre eles tu) e que, motivos vários, permanecem somente na minha memória (pois de facto a vidinha foi seguindo caminhos tão diferentes e entre tempo e espaço... desencontra-mo-nos).
Enfim, gostei muito deste poema... de ler, nas tuas palavras, o que, pela(s) distância(s), não acompanhei e perdi, do que de novo há no meu "velho amigo" Nuninho :).
Um beijinho e até breve se Deus quiser!
MJPicas
PS: Boa sorte para os teus projectos (e p/ este blog também).
Muito obrigado pelo comentário e desculpa só responder agora.
ResponderEliminarDá-me muito gosto ter leitoras como tu neste meu blog, que se revêm no que escrevo, e em quem as minhas palavras provocam algo.
Teremos oportunidades de discutir o que concordas e não concordas quando voltares. :)
Um beijo.