terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A minha fé

A minha fé é um dia cinzento
Que nunca passa, que nunca muda
Sem amanhã que finde o tormento
Sem vento ou chuva ou algo que me acuda

Um dia eterno, e eternamente inerte
Parado no tempo, estendido na estrada
À espera de um trovão que caia e liberte
A minha alma, sem crenças em nada

Já foi morna e suave a brisa do dia
Quando era tenra a minha razão
Depois as questões que o tempo traria
Desencobririam a grande ilusão

E assim espero o predito sinal
E olho a paisagem sem movimento
Sem cor e sem som e sem nada de mal
No dia oco de bem e alento

Espero preso no desespero da espera
Que me restaurem a fé em sonhos só meus
Espero o fim desta cinzenta era
Espero para sempre o toque de um deus


Dedicado ao meu amigo Samuel.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Todos morremos jovens

O meu corpo tem sono somente
Mas a minha alma nunca dorme
E belisca o meu ser dormente
A cada medo que me consome

Mas à face da eternidade
Todos somos um ponto de nada
Na hora da única verdade
Ninguém dá pela morte atrasada

Além de sentir os medos banais
Certos são os que não vou evitar
O medo de morrer cedo demais
O medo de deixar de te amar

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Chuva

Hoje acordei e cheirei a chuva nova
A chuva que já não vem cedo
O Sol já me puxava para a cova
Já vertia suor, sangue e medo

Anda a mim chuva dos céus
E leva contigo o lixo da alma
Inunda a minha cidade de réus
Julga todos, não poupes vivalma

Quero mil litros por todas as mágoas
Quero a cidade submersa , é urgente
Prefiro afogar-me nas tuas águas
Do que na lama que jorra da gente