terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A minha fé

A minha fé é um dia cinzento
Que nunca passa, que nunca muda
Sem amanhã que finde o tormento
Sem vento ou chuva ou algo que me acuda

Um dia eterno, e eternamente inerte
Parado no tempo, estendido na estrada
À espera de um trovão que caia e liberte
A minha alma, sem crenças em nada

Já foi morna e suave a brisa do dia
Quando era tenra a minha razão
Depois as questões que o tempo traria
Desencobririam a grande ilusão

E assim espero o predito sinal
E olho a paisagem sem movimento
Sem cor e sem som e sem nada de mal
No dia oco de bem e alento

Espero preso no desespero da espera
Que me restaurem a fé em sonhos só meus
Espero o fim desta cinzenta era
Espero para sempre o toque de um deus


Dedicado ao meu amigo Samuel.

1 comentário:

  1. Tinha de responder, só me faltava a coragem. Aqui está o meu obrigado.


    Podemos ficar só a respirar-nos.
    Só assim. Já falta pouco.
    A estranha sensação telúrica
    é real,
    ali onde tudo é igual
    aqui onde sonhamos esse dia que
    nos fará um:
    um contigo diante do teu rosto,
    um com tudo quando for nada e
    criar mais uma insignificante
    perfeição das tuas mãos.

    Quem serei, então?
    Aí posso ser tudo porque não sou,
    sou apenas o que fizeres de mim,
    aí liberto das sombras da noite,
    do peso do corpo, além do carmim
    exalado no último suspiro.

    Quando formos um, serei eu.
    E tudo o que correr em mim
    é em direcção a ti, onde estou.

    Novidade. Eterna novidade.
    Real. Realmente realidade.
    O meu coração será o teu
    trespassado
    e o meu suor as lágrimas
    das tuas dores.

    E se nalgum momento uma mão
    se estender para dar-se, receber
    ou agradecer

    - Sim, Amor

    todo tu estarás ali e eu contigo
    num silêncio.


    A vida num sopro
    sobre um pedaço de terra cuspida
    onde voltarei
    ao cair do sol
    ao passar a brisa.

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