A minha fé é um dia cinzento
Que nunca passa, que nunca muda
Sem amanhã que finde o tormento
Sem vento ou chuva ou algo que me acuda
Um dia eterno, e eternamente inerte
Parado no tempo, estendido na estrada
À espera de um trovão que caia e liberte
A minha alma, sem crenças em nada
Já foi morna e suave a brisa do dia
Quando era tenra a minha razão
Depois as questões que o tempo traria
Desencobririam a grande ilusão
E assim espero o predito sinal
E olho a paisagem sem movimento
Sem cor e sem som e sem nada de mal
No dia oco de bem e alento
Espero preso no desespero da espera
Que me restaurem a fé em sonhos só meus
Espero o fim desta cinzenta era
Espero para sempre o toque de um deus
Dedicado ao meu amigo Samuel.
Tinha de responder, só me faltava a coragem. Aqui está o meu obrigado.
ResponderEliminarPodemos ficar só a respirar-nos.
Só assim. Já falta pouco.
A estranha sensação telúrica
é real,
ali onde tudo é igual
aqui onde sonhamos esse dia que
nos fará um:
um contigo diante do teu rosto,
um com tudo quando for nada e
criar mais uma insignificante
perfeição das tuas mãos.
Quem serei, então?
Aí posso ser tudo porque não sou,
sou apenas o que fizeres de mim,
aí liberto das sombras da noite,
do peso do corpo, além do carmim
exalado no último suspiro.
Quando formos um, serei eu.
E tudo o que correr em mim
é em direcção a ti, onde estou.
Novidade. Eterna novidade.
Real. Realmente realidade.
O meu coração será o teu
trespassado
e o meu suor as lágrimas
das tuas dores.
E se nalgum momento uma mão
se estender para dar-se, receber
ou agradecer
- Sim, Amor
todo tu estarás ali e eu contigo
num silêncio.
A vida num sopro
sobre um pedaço de terra cuspida
onde voltarei
ao cair do sol
ao passar a brisa.