quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Passividade

Está quase a chegar
Sinto-o na madrugada
Ninguém me vai salvar
Nem a fé santificada

Não deixo de sonhar
Mas sonho com o ele
Ninguém me vai salvar
Sinto-o na pele

Faço por continuar
Mas temo o pior
Ninguém me vai salvar
Nem o maior salvador

Fico aqui por ficar
Sem finalidade
Ninguém me vai salvar
Nem a autoridade

Não paro de pensar
Mas paro de fazer
Ninguém me vai salvar
Nem um poder qualquer

Passada é passado

É difícil enterrar o passado
Fica em nós, debaixo da pele
E deixamos que fique pesado
Quando pensamos demais sobre ele

Embora tenha tudo acabado
Os nossos corpos ainda sentem
Mas nenhum peixe é pescado
Nas águas que passaram ontem

Nenhuma mágoa é esquecida
Em dias antes do hoje
Mas saber esquecer a vida
É arte que ainda nos foge

Vou deixar tudo para trás
Para abrir a porta da frente
Só assim vou ser capaz
Empurra o sol para poente

Rasgar com este tormento
Remoros e culpas não
Fim do arrependimento
Consagrar a contrição

Depois de assimilado
Qualquer segundo é demais
O passado é só passado
E nada, nada mais