A minha fé é um dia cinzento
Que nunca passa, que nunca muda
Sem amanhã que finde o tormento
Sem vento ou chuva ou algo que me acuda
Um dia eterno, e eternamente inerte
Parado no tempo, estendido na estrada
À espera de um trovão que caia e liberte
A minha alma, sem crenças em nada
Já foi morna e suave a brisa do dia
Quando era tenra a minha razão
Depois as questões que o tempo traria
Desencobririam a grande ilusão
E assim espero o predito sinal
E olho a paisagem sem movimento
Sem cor e sem som e sem nada de mal
No dia oco de bem e alento
Espero preso no desespero da espera
Que me restaurem a fé em sonhos só meus
Espero o fim desta cinzenta era
Espero para sempre o toque de um deus
Dedicado ao meu amigo Samuel.