Quando saio à rua, e olho a paisagem
E vejo no que tornou o tempo, a gente
Rara é a libertadora aragem
Maciça é a vazia moda ardente
Todos olham para ela agora
Todos a querem à sua volta
São almas cegas felizes à nora
Temporariamente à solta
Pois o tempo queima o que arde
E o que arde muito não dura
Ainda o sol queima ao final da tarde
E já este rito passou de altura
Inteiros se entregam a esta ideia
Que veio de onde já ninguém pensa
Não interessa quem teceu a teia
Vestem-na e aceitam a ilusão imensa
Ao olhar para fora não sabem quem são
Nem da sua mão conhecem a palma
São cópias de gente feita de cartão
São parte integrante do triste padrão
Se o inferno estivesse in, venderiam a alma
quinta-feira, 26 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Velho Amigo
Meu querido velho amigo
Aceita a minha sentida mensagem
Trago peripécias que guardei comigo
Ao longo desta débil viagem
Desde a última vez que nos vimos
Parece que vários séculos voaram
E como estradas diferentes seguimos
Ares diferentes certamente passaram
Eu, tantas coisas deixei escapar
Tantas vezes me deixei seduzir
Alguns dias acabei a chorar
Alguns dias que acabei a sorrir
Tentei sempre me guiar pelos sonhos
Tentei sempre ordenar importâncias
Contudo quase sempre suponho
Ter sido vítima das circunstâncias
Tentei cultivar a espiritualidade
E acreditar no amor que não sinto
Podia dizer que é tudo verdade
Mas a ti sou sincero e não minto
Descobri que a gente é oca
E que a alma vale pouco ou nada
Diamantes e cirurgias na boca
Faz da pessoa mais uma ou amada
Já descobri as roldanas do mundo
E o que alimenta o seu diário ofício
Tanto é vil que por vezes me inundo
Em litros e litros e litros de vícios
Já percorri milhas e mil coisas fiz
E já aprendi que outras mil não as sei
Mas o que a minha consciência diz
É que me sinto onde comecei
Sinto que não sei nada meu caro
Mas na minha mente persistes
Lembrar-me de ti é um amparo
Mas subitamente reparo
Que já não sei se existes
Aceita a minha sentida mensagem
Trago peripécias que guardei comigo
Ao longo desta débil viagem
Desde a última vez que nos vimos
Parece que vários séculos voaram
E como estradas diferentes seguimos
Ares diferentes certamente passaram
Eu, tantas coisas deixei escapar
Tantas vezes me deixei seduzir
Alguns dias acabei a chorar
Alguns dias que acabei a sorrir
Tentei sempre me guiar pelos sonhos
Tentei sempre ordenar importâncias
Contudo quase sempre suponho
Ter sido vítima das circunstâncias
Tentei cultivar a espiritualidade
E acreditar no amor que não sinto
Podia dizer que é tudo verdade
Mas a ti sou sincero e não minto
Descobri que a gente é oca
E que a alma vale pouco ou nada
Diamantes e cirurgias na boca
Faz da pessoa mais uma ou amada
Já descobri as roldanas do mundo
E o que alimenta o seu diário ofício
Tanto é vil que por vezes me inundo
Em litros e litros e litros de vícios
Já percorri milhas e mil coisas fiz
E já aprendi que outras mil não as sei
Mas o que a minha consciência diz
É que me sinto onde comecei
Sinto que não sei nada meu caro
Mas na minha mente persistes
Lembrar-me de ti é um amparo
Mas subitamente reparo
Que já não sei se existes
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Ela
Ela assombra-me quando já a esqueci
Volta para me lembrar que existe
Quando já não me lembro que a venci
É quando a derrota de súbito persiste
Ela assombra-me a meio da tarde
Ela assombra-me quando me sinto normal
E quando a dor da vida em mim arde
É quando ela é mais feroz e carnal
Ela assombra-me em dias de vento
Ela assombra-me em dias de azar
Constante, torna-se o maior tormento
Perdura nos anos por mim a passar
Ela assombra-me nos sonhos mais profundos
Ganha vida em mim, onde pensei não a ter
Ela assombra-me em todos os meus mundos
Que crio para tentar deixar de a ver
Ela assombra-me e faz-me sentir inerte
Faz-me arrepender o que outrora não fez
Faz-me sentir que lágrimas verte
Ela assombra-me sempre mais uma vez
Ela assombra-me até neste verso, sim
E sinto em mim o meu eu duvidar
Se fui eu quem criou esta Ela em mim
Se vai viver comigo para lá do meu fim
E me vai assombrar quando a vida acabar
Volta para me lembrar que existe
Quando já não me lembro que a venci
É quando a derrota de súbito persiste
Ela assombra-me a meio da tarde
Ela assombra-me quando me sinto normal
E quando a dor da vida em mim arde
É quando ela é mais feroz e carnal
Ela assombra-me em dias de vento
Ela assombra-me em dias de azar
Constante, torna-se o maior tormento
Perdura nos anos por mim a passar
Ela assombra-me nos sonhos mais profundos
Ganha vida em mim, onde pensei não a ter
Ela assombra-me em todos os meus mundos
Que crio para tentar deixar de a ver
Ela assombra-me e faz-me sentir inerte
Faz-me arrepender o que outrora não fez
Faz-me sentir que lágrimas verte
Ela assombra-me sempre mais uma vez
Ela assombra-me até neste verso, sim
E sinto em mim o meu eu duvidar
Se fui eu quem criou esta Ela em mim
Se vai viver comigo para lá do meu fim
E me vai assombrar quando a vida acabar
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