quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ontem

Ontem acordei mais do que uma vez
E vi na janela o meu meio reflexo
Pensei como é que eu sou, talvez
Não sei se tão simples ou tão complexo

Acordei de um sonho cheio de arte
Tentei decifrar a turva mensagem
No cinza acordar fui notar o aparte
Que pinto sozinho a minha paisagem

E tudo era igual, ao dia anterior
Mais uma volta no ciclo da gente
Que roda e roda sem nenhum fulgor
Se deixa levar por qualquer regente

Os mesmos feitiços na caixa mágica
O mesmo olhar em suspiros meus
A mesma mensagem, sempre trágica
As mesmas bombas em nome de deus

A mesmas intermináveis filas
E conversas inúteis, sobre nada
As mesmas modas e suas pupilas
Os mesmos trapos à face da estrada

Os mesmos que vivem com muito de tudo
E outros que caem nos seus artifícios
Mas já em mim este facto é mudo
Só penso em matar os meus próprios vícios

Foi ontem o quase diferente
Mas quase é nada quando o falta
Mudar quase tudo é tão urgente
Quanto é urgente morrer a ribalta